sábado, 26 de fevereiro de 2011

Educação integral do surdo por meio do esporte

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0106.html



Prof. Julio César P. P. de Souza

Idealizador e coordenador do projeto

Introdução: Fundamentação

O esporte é parte integrante do desenvolvimento humano, desde tempos imemoráveis. Podemos dizer, que a prática esportiva está diretamente ligada à qualidade de vida de todo cidadão, seja qual for sua faixa etária. Na área da saúde, por intermédio da fisiologia do exercício, na área social, por meio da participação e lazer, ou na área da educação, pelo esporte escolar. Por todos estes fatores é o segmento em condição mais favorável à promoção do desenvolvimento humano em todos seus aspectos, com papel fundamental na educação de nossos jovens, formando hábitos e valores para toda a vida.

Para isso é preciso que seja democrático e inclusivo, sendo estimulado desde a infância, e o local mais adequado para sua iniciação é a Escola.

Entretanto, através de estudos por nós realizados, a conclusão é que o deficiente auditivo é excluído do esporte, seja nas ruas, nos clubes, espaço Municipal e Estadual e também nas Escolas Especiais, onde não há o Prof. de Educação Física contratado, e algumas Escolas, sequer contam com quadra esportiva em seu espaço físico.

Nossa proposta é a criação de Núcleo Esportivo nas Escolas Especiais para surdo e deficiente auditivo.

Objetivo geral
Educar e capacitar o deficiente auditivo, desenvolvendo a formação do caráter, baseado em valores de paz, ética, cidadania, convivência social, saúde e também às habilidades práticas, necessárias à execução das mais variadas tarefas do seu cotidiano, proporcionando a oportunidade para que o surdo adquira qualidade de vida e igualdade social.

Objetivo específico
Desenvolvimento das habilidades, no que diz respeito aos aspectos educacionais: físico, psicológico e social.

Estratégia
•1º local:
Qualquer escola especial para surdo e deficiente auditivo seja ela municipal, estadual ou particular.
•2º forma:
Aula de Esportes (Obrigatória).
•3º horário:
Durante o período escolar (três períodos).
Pedagogia
Foi criteriosamente desenvolvida, onde cada exercício dos aspectos esportivos foi criado ou adaptado para que por meio deles, a criança surda desenvolva simultaneamente os aspectos educacionais; físico, psicológico, social.

Metodologia
Distribuição sistemática de treinamento dos vários itens do aspecto esportivo por meio do cronograma de aulas, facilitando a introdução e o aprendizado dos esportes aplicados.

Foram escolhidos os quatro esportes mais populares, não somente pelo fato de fazerem parte da nossa cultura, mas também por terem natureza democrática, (com uma bola, coletes e um espaço é possível treinar centenas de crianças).

Tais esportes se completam no desenvolvimento educacional e esportivo, pelo fato de terem aspectos diferentes, cada qual desenvolvendo um tipo de habilidade.

Conclusão
Acreditamos que por intermédio da realização deste projeto, estaremos contribuindo para o desenvolvimento integral do surdo, tanto no que se refere aos aspectos esportivos quanto educacionais, promovendo uma verdadeira inclusão social.

Pedagogia e metodologia: prática

Metodologia

Esportes praticados:

•Basquetebol
•Futsal
•Handebol
•Voleibol
Nº de aulas: Duas vezes semanais

Duração da aula: 45 minutos

Sexo: masculino e feminino

Idade: a partir de 7 anos

Sistema de rodízio: dois meses consecutivos cada esporte

Local: escolas especiais para surdo e deficientes auditivo

Divisão cronológica de aula 1º semana 2º semana 3º semana 4º semana
1º treino 2º treino 3º treino 4º treino 5º treino 6º treino 7º treino 8º treino
Palestras 10 min. 10 min. 10 min. - 5 min. - 5 min. -
Aquecimento 10 min. 10 min. 10 min. 10 min. 10 min. 10 min. 10 min. 10 min.
Treino técnico 25 Min. 25 min. - 25 min. - 15 min. - -
Treino tático - - 25 min. 10 min. - - - 15 min.
Treino físico Simultân. Simultân. Simultân. Simultân. Simultân. Simultân. Simultân. Simultân.
Coletivo - - - - 30 min. 20 min. 30 min. 25 min.

Aspectos esportivos
Tudo que abrange os itens relacionados com o treinamento esportivo.

Palestra
Sobre temas atuais importantes, visa a levar informação prática e científica ao conhecimento do surdo, capacitando-o a uma escolha mais seletiva de convivência social. Os principais assuntos são: drogas, álcool, fumo, sexo, doenças, higiene, escola, trabalho, família, sociedade, espiritualidade etc.

Aquecimento
Obrigatório antes de qualquer atividade física, é realizado de forma recreativa.

•Jogos cooperativos
•Brincadeiras recreativas
•Alongamento
•Jogos participativos
Treino técnico
Visa ao aprendizado e aperfeiçoamento individual dos fundamentos de cada esporte.

Basquetebol:
•Bate bola
•Condução de bola
•Passe de peito
•Passe quicando
•Tipos de arremesso
•Bandeja
•Lance livre
Futsal:
•Passe curto
•Passe longo
•Condução de bola
•Domínio de bola
•Tipos de chute
•Cabeceio
•Lançamento
•Pênalti
Handebol:
•Bate bola
•Tipos de passe
•Passe curto
•Passe longo
•Condução de bola
Voleibol:
•Saque
•Toque
•Manchete
•Cortada
•Bloqueio
Treino tático
Posicionamento individual e coletivo nas diversas situações de jogo:

•Posicionamento de defesa
•Posicionamento de ataque
•Deslocamento
•Marcação sob pressão
•Contra-ataque
•Marcação por zona
•Marcação individual
Treino físico
Para não se tornar um treinamento sofrido e desmotivado, é realizado simultaneamente com os aspectos; técnico, tático e coletivo. Somente em casos específicos serão ministrados individualmente.

Treino coletivo
É o jogo propriamente dito, quando o aluno deverá colocar em prática, de uma forma sincronizada, os fundamentos de todos os aspectos esportivos, e escolher o que melhor se adapta a solução das mais variadas situações que se apresentam durante a partida. Por ser uma situação real de jogo, o treino coletivo desperta sentimento contraditório como: insegurança, prazer, ansiedade, autoafirmação, motivação, nervosismo etc. Momento que o aluno demonstra suas qualidades e defeitos, quando o professor deverá corrigi-las individualmente, nos aspectos esportivo e educacional.

Pedagogia
Aspectos educacionais

São desenvolvidos por intermédio do treinamento dos aspectos esportivos e compreende todas as habilidades abrangidas pelos fatores.

1º físico:

•Força
•Velocidade
•Flexibilidade
•Resistência
•Fisiologia
•Condicionamento físico
•Estética
•Coordenação motora
•Aproveitamento da visão periférica
•Orientação aerotemporal
•Velocidade de reação visual motriz
•Higiene
•Sentido de direção
2º psicológico:

•Concentração
•Observação
•Velocidade de raciocínio
•Autoestima
•Confiança
•Independência
•Responsabilidade
•Solidariedade
•Determinação
•Perseverança
•Lidar com frustração
3º social:

•Respeitar horário
•Comprometimento com programa
•Responsabilidade social
•Cidadania
•Participação social
•Respeito às limitações (própria e do outro)
•Igualdade social
•Participação em grupo
•Desenvolvimento da ética
•Liderança
Conclusão geral
Acreditamos que por meio da implantação do núcleo esportivo dentro das escolas especiais para surdos, estaremos dando um grande passo em prol da igualdade social, e pela prática esportiva com todos os benefícios inerentes a ela, a educação e a capacitação do surdo, tanto no sentido qualitativo como quantitativo, será uma realidade sem precedentes.

Fontes para a elaboração: Cursos, palestras, clínicas, mesa-redonda com a experiência de vários profissionais nas mais variadas áreas sociais e esportivas.

Etapas organizacionais:
•1º etapa:
Observação, estudo e debate com outros profissionais da área, tendo como base os primeiros núcleos esportivos criados. Preparação dos testes a serem realizados por profissionais experientes em grupos diferenciados de alunos, objetivando a comprovação científica.
•2º etapa:
Aplicação dos testes elaborados, durante dois anos consecutivos.
Estudo e análise dos resultados obtidos.
A comprovação científica dos conceitos da Pedagogia e Metodologia aplicadas neste projeto.
Responsável técnico: Prof. Aguinaldo Mota

Colaboradores:
Dr. Antonio Douglas Menon
Dr. Luís Alberto Chaves de Oliveira
Prof. Lorenzo Rosales e equipe

Leia também: Origem da exclusão social do surdo

Publicado em 21/03/2006

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Série Artigos Acadêmicos

O TRANSPORTE SOCIAL URBANO E A HIERARQUIZAÇÃO DOS MODELOS DE VEÍCULOS NA MUDANÇA DE ATITUDE DOS USUÁRIOS

Christiane Maria Costa Carneiro Penha, psicóloga, Mestranda em Psicologia Universidade Salgado de Oliveira

Antonio Ricardo Penha, Teólogo
chpenha.penha@gmail.com

Este trabalho foca os estudos sobre o crescimento das cidades e da população urbana, associando a este crescimento os problemas para o deslocamento desta população, em virtude dos poucos projetos que resolvem de fato as causas dos conflitos existentes nas vias urbanas que facilitam a chegada dessa massa de servidores aos locais de compromissos ou de lazer, considerando neste contexto, a livre escolha do tipo de veículo empregado nesta ação.
A escolha e ocupação dos assentos dos veículos de transporte ainda não é uma opção democrática, antes, é definida pela necessidade dos moradores que utilizarão esta ou aquela condução por sua agilidade, segurança e preço. Para estabelecer uma ponte de entendimento sobre o futuro do transporte social urbano é necessário conhecer a sua função maior de ligar os vários pontos da cidade entre os grandes centros e periferias, através dos veículos terrestres, aéreos e marítimos, em tempo de oferecer suporte de passagens nas vias congestionadas pelo volume de trafego. Neste sentido, a discussão sobre a direção do congestionamento perde efeito, uma vez que hoje em dia vão da periferia para o centro, ou do centro para a periferia.
Estamos centrados nos estudos da globalização e nos resultados que aproximam sujeitos de diferentes localidades onde o conceito de centro e periferia não mais existe, e que Santos (2002), afirma não mais permitir aplicar noções de proximidade ou distância, se levado em conta o aumento da população e a mudança de trabalhadores para os grandes centros urbanos e subúrbio, em áreas de moradias que ultrapassam 50 km de distância dentro da mesma cidade.
Enquanto professores atuando em quatro diferentes cidades deste Estado Nilópolis, Belford Roxo, Rio de Janeiro e Niterói somos provocados a disputar com outros profissionais os espaços disponíveis nos ônibus, barcas, trens da Super via e do Metrô para chegarmos às instituições de ensino sem atrasos. A nossa estratégia para isso, consiste em utilizar mais de uma opção de veículo através das integrações trem/metrô, Trem/ônibus, Metrô/ônibus e barcas que tenham linhas próximas de nossa residência e das escolas que são o destino.
A construção de um programa individual de milhagem pode ser favorável a todo cidadão que planejar o seu roteiro de viagens pela cidade antecipadamente. Principalmente se considerar os valores do bilhete único referente ao transporte integrado, que baixam o valor final de duas passagens para uma. Ou seja: trem (R$2,50) + metrô (R$2,85) = R$3,80 (valor com desconto), ao invés de R$5,35 que seriam cobrados sem a integração dos modelos transporte.
O nosso método para poupar tempo e dinheiro com o transporte urbano leva em conta a dinâmica da empresa em oferecer soluções contra os conflitos causados pelo trânsito. Assim verificamos antecipadamente as linhas que oferecem menos paradas, rotas que utilizam corredores expressos e baldeações com terminais de integração trem, metrô, ônibus e barcas.
A mudança de atitude dos usuários acontece neste espaço, quando se verifica a hierarquização dos modelos de transporte, uma vez que os chamados frescões (ônibus executivos), vãs legalizadas e taxis compartilhados desfilam pela cidade, com preço mais alto de passagens em virtude de oferecer serviços de bordo que permite ao usuário conforto suficiente para não sentir a problemática do trânsito. A maioria dos passageiros que utilizam esses veículos aproveita o tempo para dormir, ler jornal ou simplesmente adiantar o serviço com ligações telefônicas e leitura do expediente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MARICATO, E. Habitação e Cidade. São Paulo: Atual Editora, 1997.
SANTOS, M. O espaço dividido. Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979 (Coleção Ciências Sociais).
SANTOS, M. Por uma outra globalização. São Paulo: Record, 2000.
VESENTINI, J. W. Sociedade e Espaço. São Paulo: Editora Ática, 1992.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Artigo Acadêmico: Possibilidades da Avaliação Dialógica



Layane C. de Souza, Pedagoga pela Faculdade Gama e Souza,
Pós- Graduada em Pedagogia Empresarial pelo Instituto
A Vez do Mestre da Universidade Cândido Mendes,
Professora de Língua Brasileira de Sinais
Pesquisadora e Palestrante do CH Penha Projetos Educacionais


I- INTRODUÇÃO


Atualmente vivemos em um mundo onde as realidades sociais ainda se diferem muito. Em nosso próprio país encontramos locais super desenvolvidos e outros em condições desumanas. E esta realidade está presente em nossa sala de aula. E como avaliar pessoas com vivências tão diferentes, mas que estão em um mesmo tempo e espaço? Qual a diferença entre a avaliação da educação tradicional e a avaliação na educação construtivista? Será que hoje sabendo desta diferente realidade em nossa sociedade devemos ainda nos colocar como donos do saber ou aceitar que estamos sempre em constante aprendizagem e que a troca, a prática e o diálogo são instrumentos que nos permitem ser mediadores deste constante processo de aprendizagem para nossos alunos?
Se as realidades são diferentes, as vivências, o desenvolvimento, o saber e o querer também são. Olhar para a avaliação como processo de construção e não seletora requer um entendimento desta sociedade e principalmente humildade para saber que somos todos diferentes e que a educação também requer métodos e atividades diversificadas de acordo com a realidade de cada um. Devemos olhar para a turma como um todo sem se esquecer desta individualidade de cada um seja ele adulto, criança, deficiente físico ou mental.

II- O QUE É AVALIAÇÃO?

Hoje a avaliação está relacionada diretamente com o processo ensino-aprendizagem. Quando se fala em avaliação não mais temos que pensar em um meio de punição ou de medição do nível de conhecimento do aluno.Avaliar é verificar se os objetivos, planejamentos e métodos utilizados obtiveram o resultado esperado e direcionar esses resultados a ações que possam melhorar a efetividade do processo.
De acordo com Paulo Freire, "não se pode separar a prática da teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor de respeito aos alunos, ensinar de aprender".
Então se avaliar é a aferição do processo ensino aprendizagem, o professor não deve priorizar o resultado e sim o andamento do processo valorizando cada etapa como uma construção do indivíduo.
A verdadeira educação consiste na educação problematizadora ou conscientizadora, objetiva o desenvolvimento da consciência crítica e a liberdade. A dialogicidade é a essência desta educação. O educador e o educando são, portanto, sujeitos de um processo que crescem juntos. (Paulo Freire)
Diferente da educação tradicional o professor hoje não é o centro do processo educacional. Antes os resultados das avaliações dependiam somente do aluno. Se o aluno não conseguisse alcançar os objetivos era porque ele não tinha sido um bom aluno estudando e prestando atenção no professor, já que ele era o dono do saber e o aluno um depósito do conhecimento.
Hoje o aluno é a peça principal do processo de aprendizagem, cabe ao professor procurar a melhor maneira de favorecer a aprendizagem do aluno e valorizar a importância desta coletividade e da troca, pois temos em nossas salas de aula uma diversidade muito grande cultural e social. Estas trocas trazem aprendizado tanto para os alunos quanto para os professores.
Segundo OSÒRIO, 2002, “O modelo classificatório de avaliação onde os alunos são considerados aprovados ou reprovados oficializa a concepção de sociedade excludente adotada pela escola”. A forma de avaliar e os resultados obtidos pela avaliação não deve refletir o modelo social excludente e competitivo que ainda temos.
Pelo contrário é a escola forma valores a partir de seus parâmetros, de seus trabalhos pedagógicos seja com os alunos, com a família e com a sociedade. Ela é um local onde pode e deve formar opiniões e se repetimos dentro dela modelos sociais decadentes, exclusivos estaremos formando cidadãos decadentes e exclusivos.
Nesta sociedade tão diversificada podemos nos deparar com educandos de realidades sociais, econômicas e culturais diferentes, alguns tem mais facilidade aos meios de comunicações, até mais que muitos professores, e outros mal conseguem assistir a um jornal.
Esta troca de informações favorece o crescimento da turma e nós como mediadores deste processo temos que valorizar a coletividade e avaliar toda esta participação propondo atividades que possa favorecer, por exemplo, a troca entre os alunos que não tem tanto acesso as informações com alunos que tem mais acesso e problematizações com temas atuais e transversais tão importantes para a formação do cidadão e sua vida em sociedade.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quando nos propomos a oferecer um conhecimento, uma aprendizagem, devemos ter certeza daquilo que transmitimos, tanto verbal como visualmente.


Por Fátima Alves

Fonoaudióloga; Psicomotricista titulada pela SBP; Formação em Ramain Thiers; Presidente da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, gestão 2008/2011; Mestranda em Estudo em Ciências da Saúde e do Ambiente; Autoras dos livros "Psicomotricidade: corpo, ação e emoção", Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio", "Como aplicar a psicomotricidade: uma atividade multidisciplinar com Amor e União" e "Para Entender a S´ndrome de Down" e colaborada dos livros "Escola Competente" e "Compartilhar em Terapia"; Docente de Pós-Graduação do Projeto AVM, UCAM-RJ; Professora conteudista do IAVM; Colaboradora do IBRM (Instituto Brasileiro de Reeducação Motora); Ministrante de palestras, workshops e cursos.

Contato: fatimaalves2003@ig.com.br ou fatimaalves2003@oi.com.br


Ninguém é perfeito, graças a Deus, mas temos que tentar fazer melhor. Se a intenção é aprender, devemos aprender de forma certa e se esse aprender tem a intenção de ensinar o outro, devemos ter uma preocupação a mais para não levar ao outro informações erradas. Quando nos propomos a oferecer um conhecimento, uma aprendizagem, devemos ter certeza daquilo que transmitimos, tanto verbal como visualmente. A Pedagogia tem como objetivo aplicar conhecimentos produzidos, permitindo a reflexão, ordenação, a sistematização de todo um processo educacional, portanto, tenhamos cuidado com os erros, omissões, com o que escrevemos.
Tenho a grande preocupação de fornecer aos meus alunos textos, artigos, o que acho ser interessante sempre para o crescimento de cada um. Minha intenção é fazer do meu aluno conhecedor daquilo que acredito que esteja lendo e dessa forma colocando para seus futuros conhecedores esse conhecimento que aprendeu, que compreendeu, mas se copiamos, não devemos nos enganar, pois não estaremos aprendendo nada e assim não poderemos e nem devemos ensinar o outro. Se não conhecemos, compreendemos, o que ensinamos?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

I Encontro Nacional de Tutores da Educação a Distância 2011

SOBRE O EVENTO
Data: 21/03/2011

O I Encontro Nacional de Tutores da Educação a Distância é promovido pela Associação Nacional dos Tutores da Educação a Distância - ANATED, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, por meio de sua Faculdade de Educação, que sediará o evento no dia 21 de março de 2011, na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Para os que não puderem se deslocar poderão acompanhar ao vivo pela internet, por meio de inscrição online.

O evento traz como tema: Tutoria: O braço forte das instituições. O porto seguro dos alunos. Essa escolha sintetiza a importância do papel do tutor em suas atividades, que sob a égide da instituição tem a missão de manter o contato direto com o seu bem mais precioso, ou seja, o aluno. Já, para este último, ele é o facilitador, mentor e amigo, que o apóia em todos os momentos ao longo desta importante etapa de sua vida, proporcionando segurança para o processo de construção do conhecimento.

A comissão organizadora do evento convidou autoridades, representantes do MEC, parlamentares e instituições públicas e privadas de ensino, além de toda a comunidade acadêmica que demonstra interesse pelo assunto.

Será concedido certificado de participação para todos os participantes, inclusive para os que participarem pela internet.

CERTIFICADO

Participantes receberão certificados

Todos aqueles que participarem do I Encontro Nacional de Tutores da Educação a Distância terão direito ao recebimento de CERTIFICADO de participação, expedido pela Anated e Unicamp, equivalentes a 8 horas atividades.

Os certificados serão expedidos sem distinguir aqueles que participaram presencialmente ou a distância pela internet.

CONVIDADOS

1 Luis Gomes: Presidente da Anated
Associação Nacional dos Tutores da Educação a Distância;

2 Denise Martins de Abreu-e-Lima:Coordenadora UAB-UFSCar
Presidente do Fórum de Coordenadores UAB;

3 Fredric Michael Litto: Presidente da ABED
Associação Brasileira de Educação a Distância;

4 Santiago Castillo Arredondo:Catedrático e Tutor da Universidade Nacional de Educação a Distância - UNED, Madrid - ESPANHA;

5 Stavros Panagiotis Xanthopoylos:Diretor da FGV Online;

6 Sergio Amaral:Coordenador do Lantec - Unicamp
Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação;

7 Ligia Futterleib:Diretora do Grupo e-Educa;

8 Ricardo Holz:Presidente da ABE-EAD
Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância

Eventos na Estação das Letras - 2011



http://www.estacaodasletras.com.br

Objetivo dos Cursos e Oficinas de criação literária é atender um público interessado em literatura, que também deseja colocar suas idéias no papel.Autores e professores renomados exploram, com sensibilidade, criatividade e técnica, todos os gêneros: conto, crônica, literatura infantil, poesia e romance, além das escritas criativa e teatral.

Cursos para o mercado editorial
A Estação é pioneira e única no Rio de Janeiro em formação extra-acadêmica para o mercado editorial. Um dos seus projetos permanentes é A Livraria do Século XXI. A cada semestre, quatro seminários formam gerentes e atendentes de livrarias, mão-de-obra especializada, rara e imprescindível.

Professores e universitários têm 50% de desconto nos cursos, com vagas limitadas (exceto para cursos online).
Procedimentos
Inscrições:
Reservas podem ser feitas por telefone, e-mail ou por nosso formulário de contato, devendo ser confirmadas por inscrição com 7 dias de antecedência.

Sobre cancelamento:
Por parte dos alunos:
- Até 2 dias antes do início do curso – reembolso integral.
- Menos de 48 horas antes do início do curso – não há restituição. A inscrição poderá ser transferida para outra pessoa ou para outro curso à escolha do aluno.
- O cancelamento e/ou transferência de cursos devem ser feitos por escrito, via e-mail ou fax.
Por parte da Estação das Letras:
O curso poderá ser cancelado caso não haja o número mínimo de inscrições ou por motivo de força maior; em tais casos, os valores pagos serão restituídos integralmente e o aluno será informado no mínimo 48 horas antes da data programada para início do curso.
- O curso já iniciado só será cancelado por motivos alheios a nossa vontade.

Certificados:
Serão fornecidos certificados aos participantes que obtiverem 75% de presença.

Material:
Em alguns cursos poderá ser cobrada uma taxa de material no valor de R$ 30,00. Consulte nossos atendentes.

Grade de Fevereiro de 2011

-Palavra e silêncio em psicanálise - com Eduardo Rozenthal
-Oficina de E-mail Marketing – Como montar sua própria newsletter - com Paula Cajaty
-O escritor e o Mercado Editorial – caminhos para publicação - com Márcio Vassalo, Maria Amélia Mello e Carlo Carrenho
-Curso avançado de Literatura Infantil: Criação e Crítica - com Ninfa Parreiras
-Literatura Infantil: do Texto ao Livro - com Ninfa Parreiras
-Escrita Criativa – desbloqueando sua capacidade de escrever - com Silvia Carvão
-Oficina de Revisão e Copidesque - com Alvanísio Damasceno
-Oficina de Poesia (avançada) - com Carlito Azevedo
-Redação e atualização em Língua Portuguesa - com Sheila de Assumpção Cavalcante
-Atelier da Escrita - com Bia Albernaz

Cursos Especiais

-Laboratório de Vivência Literária - com Luiz Ruffato
-Processos Criativos

Grade de Março de 2011

-Os quês e os porquês do Português: produção de textos - com Liana Duarte
-Oficina de Poesia (introdução) - com Marcus Vinicius Quiroga
-A Arte do Romance – Oficina de Criação - com Claudia Lage
-Oficina do Conto (avançada) - com Claudia Lage
-Oficina do Conto - com Nilza Rezende
-Autoficção: turma avançada - com Ana Letícia Leal
-Autoficção: escrita e memória pessoal – Mód I - com Ana Letícia Leal
-Introdução à crítica literária do século XX - com Jair Ferreira dos Santos
-Academia de Ginástica Poética: novos encontros - com Luiz Raul Machado

Cursos Especiais

-Laboratório de Vivência Literária - com Luiz Ruffato
-História da Literatura infantil - com Laura Sandroni
-Literatura de Cordel - com Fábio Sombra
-O que nos faz sofrer? - com Eduardo Rozenthal
-Lembrar e Esquecer: do século XIX ao XXI - com a Dra. Maria Cristina Franco Ferraz
-Processos Criativos

Grade de Abril de 2011

-Workshop Como editar seu próprio livro
-Curso teórico e prático de editoração e preparação de originais - com Alvanísio Damasceno
-Oficina de Revisão e Copidesque - com Alvanísio Damasceno

Cursos Especiais

-Laboratório de Vivência Literária - com Luiz Ruffato
-Processos Criativos

Grade de Maio de 2011

-Forma e Conteúdo do Romance - com Joel Rufino dos Santos
-Escrita Criativa – desbloqueando sua capacidade de escrever - Silvia Carvão
-Oficina de Revisão e Copidesque - com Alvanísio Damasceno

Cursos Especiais

-Leitura Crítica de Poesia – Oficina - com Affonso Romano de Sant’Anna
-Laboratório de Vivência Literária - com Luiz Ruffato
-Processos Criativos
-Deleuze e a literatura menor - com Auterives Maciel Junior
-As ficções breves: mergulho no conto - com Ondjaki

Grade de Junho de 2011

-Livro do Desassossego: do sonho ao texto - com Daisy Justus
-Oficina da Crônica - com Felipe Pena

Cursos Especiais

-Laboratório de Vivência Literária - com Luiz Ruffato
-Processos Criativos

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Eventos sobre Psicanálise









R. Mariz e Barros, 176 sl 803 - Icaraí - Niterói - RJ
R. Visconde de Pirajá, 156 sl 602 - Ipanema - Rio de Janeiro - RJ
http://flaviaalbuquerque.com.br
http://pontolacaniano.com.br
http://twitter.com/pontolacaniano
http://facebook.com/flavia.albuquerque

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Psicóloga e Arteterapeuta Anita Rink


http://www.anitarink.com



Em 1995 o
Atelier Rink
inicia suas atividades.


Nossa missão é despertar as melhores qualidades dos alunos

e contribuir com o desenvolvimento do potencial de cada

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

LIBRAS: MAIS COMUNICAÇAO NA ESCOLA

LIBRAS: MAIS COMUNICAÇÃO NA ESCOLA

Antonio Ricardo Penha, Teólogo, Mestre em Teologia - Instituto A Vez do Mestre/UCAM

Christiane Mª Costa Carneiro Penha, Psicóloga, Mestranda em Psicologia na Universidade Salgado de Oliveira

Quando decidimos obter tempo para aprendermos a Língua de Sinais Brasileira não imaginávamos que a nossa vida mudaria tanto. Principalmente, não esperávamos que mudasse a nossa visão quanto a pessoa surda e, a sua vida no contexto social. Descobrimos as suas lutas pelos direitos a educação, legendas e pelo trabalho; valores que o ser humano tem definido na constituição brasileira desde o seu nascimento.

As nossas reflexões iniciais, voltadas exclusivamente para o aprendizado da LIBRAS, foram ampliadas e nos possibilitaram uma inclusão na comunidade surda mudando o significado de tudo quanto havíamos aprendido sobre comunicação ou Língua Portuguesa "para brasileiros".

Ora, os surdos também brasileiros estavam aqui o tempo todo, e nos não tínhamos noção disso. As nossas observações iniciais demonstraram que ao adquirimos familiaridade com a comunidade surda e a LIBRAS a nossa comunicação em casa também mudou. Nossas filhas de dois e três anos e meio já se comunicarem LIBRAS durante as suas brincadeiras. Começaram repetindo os nossos gestos e posteriormente, entendendo o significado de cada letra e sinal. No futuro terão melhores possibilidades de desenvolverem novos talentos a partir do domínio da língua. E nesse sentido, que estamos também buscando, um novo rumo para educação familiar. Bohadana e Sklar afirmam que o educador ´e o guia, e não só o provocador. E como guia, e também responsável pelo processo de comunicação - e humanização, como decorrência - de um "ser" com um outro ser, pois o se "tornar" humano não ocorre de maneira alatoaria nem solitária. E necessário que alguém assuma a responsabilidade de conduzir e introduzir o infante e o jovem no mundo (Bohadana e Sklar, 2007, p. 13)

Acreditamos que o aprendizado em família e a convivência com a comunidade surda nos trouxe uma experiência do conceito de "zona de desenvolvimento proximal" fundado por Lev Vygotsky. Experiência obtida na pratica de se ver no outro e nas suas contingências.

O dialogo em LIBRAS e algo maravilhoso. Mexe com a nossa alma pois sentimos que as mãos ditam palavras e as expressões faciais os sentimentos. Em muitos casos essas expressões quando treinadas corrigem uma situação de inibição. Entre as mudanças que ocorreram na relação familiar foi a de se ver no outro. Nos olhos, na boca, no sorriso, no pensar e principalmente no ouvir. Descobrimos que somos diferentes, mas descobrimos também um modo de respeitar essas desigualdades. Admitimos que todos somos especiais. Especiais em limitações que só aparecem quando decidimos enfrenta-las sem medo.

Quando um amigo nos viu praticando a comunicação em LIBRAS, interpelou-nos sobre os gestos. Qual de nos dois havia ficado surdo? Ou se estávamos loucos:

Foi a primeira vez que paramos para pensar no assunto sob a perspectiva do outro. Não para entender a posição curiosa expressa pelo nosso amigo, mas por compreender o que seria ser visto assim, pessoa surda, todos os dias na nossa cidade.

A reflexão também proporcionou uma avaliação interior e nos impulsionou para a experiência de campo. Ouvir outras pessoas fortaleceram a nossa analise quanto ao tempo, investimento e outras tarefas que possibilitariam o nosso acesso ao curso de LIBRAS.

A nossa opção teve por base, os resultados obtidos nesta pesquisa, e na nossa observação autocrítica de que fazíamos parte do grupo que no mínimo, desconhecia a existência da Língua e a sua importância cultural e formadora. Este processo para construir um novo caminho profissional e aprimorar o anterior e permanente, ou seja, abrimos espaço em nossa vida para buscarmos cursos de qualificação continuada. No momento vivemos o êxtase de sermos educadores.

Mudamos a nossa trajetória cultural e familiar inserindo uma nova língua que nos permitiu ir alem dos processos da comunicação. Aprendemos tantas coisas em ato pouco tempo que nos habilitamos em vários outros cursos que complementaram o nosso aprendizado sobre a LIBRAS e os fatores causadores da surdez. A patinação nos eventos sobre o tema, oferecidos por instituições e pesquisadores da área fortaleceram a nossa visão de construir um projeto pedagógico para a escola, buscando melhorar o desempenho dos alunos surdos na aquisição da língua portuguesa e de outras matérias do currículo.

Ha um despertar na área docente sobre a educação especial, e recentemente tivemos a oportunidade de discutir o assunto durante a realização do Centro de Estudos.

Priorizados como tema a Historia da Educação no Brasil, que esta repleta de significados preconceituosos, inibidores e de total exclusão disfarçadas em projetos que deviam propor nos seus objetivos específicos a correção desta atitude criminosa, oferecendo reais de inclusão social.

Experimentar as dificuldades cotidianas do PNE, e neste trabalho, as dificuldades do surdo, não e simplesmente tapar os ouvidos, pois isso retrata uma experiência desprovida de elementos possíveis a reflexão de sua realidade e dos mínimos recursos oferecidos pelo serviço de atendimento do estado.

Participamos de palestras e debates, que buscam arrecadar assinaturas para encaminhar a câmara dos deputados, objetivando a criação de leis para a inserção de legendas nos espaços de mídia televisiva e passeios públicos. Trazer a questão do surdo e seus direitos constitucionais para o campo político significa implementar algumas possibilidades relevantes, pois e nesse espaço que se discutem as necessidades do povo.

A nossa referencia quanto aos processos do estudo da surdez não se baseia somente na observação visual da pratica da língua de sinais brasileira. Também esta ligada ao fato de encontrarmos poucos alunos surdos na escolas publicas e privadas.

De acordo com Skliar (2006), a psicologia através de pesquisas bastante preconceituosas, costumava definir os surdos como "linguisticamante pobres", intelectualmente primitivos e concretos, socialmente isolados e psicologicamente imaturos. Nesta observaçao fundamentada, esta o fato da maioria dos psicologos e profissionais de todas as areas nao conhecer a realidade dos surdos em qualquer contexto.

A escola sem duvida alguma se constitui no local apropriado para formar o cidadao consciente dessas questoes, construindo bases para a erradicaçao dessa postura racista entre outras qualificaçoes cabiveis.

Enquanto educadores, temos que rever a nossa formaçao inicial onde o curriculo nao oferecia e em muitas escolas ainda nao oferecem a possibilidade da capacitaçao para o ensino dos alunos surdos. O que falar principalmente dos inumeros grupos de profissionais que trabalham numa constituiçao pedagogica onde o orientador, o diretor, os professores e tecnicos sao ouvintes e desconhecem totalmente a lingua de sinais. E mais, rotulam os alunos de acordo com a sua falta de informaçao ou com base em laudos dignos de processo judicial, pela total negligencia com o ser humano.

Deviamos ser mais diretos no estabelecimento de metas para a capacitaçao dos quadros de profissionais que atendam a pessoa portadora de necessidades especiais, segundo a sua deficiencia. Denis Diderot (1751), alert-nos para algumas possibilidades neste caso, pois dentro de suas convicçoes quanto a percepçao dos sentidos impoe um pensamento que redefine o homem segundo a origem da sua lingua forma de expressar o seu pensamento.

Em minha opiniao, uma sociedade constituida de cinco pessoas, em que cada tivesse somente umsentido, seria muito engraçada, nao ha duvida de que entre si essas pessoas se chamariam de insensatas; deixo-vos pensar com que fundamento. Entretanto, essa e uma imagem do que ocorre a todo momento no mundo: temos apenas um sentido, e julgamos como se tivessemos todos. (Diderot, D. 1993, p. 21-22)

Somos por natureza portadores de limitaçoes, e a todo instante assistimos ao processos da evoluçao do ser em busca de mobilidade. Em nosso contexto profissional novas tecnologias e metodologias pedagogicas precisam ser postas em pratica afim de nao nos afastarmos da coerente que movimenta a produçao filosofica-educativa do novo saber.

A nossa experiência na aquisição da LIBRAS, e a construção do Diário de Aprendizagem

A nossa opção em ter a LIBRAS como língua de instrução para a construção de projetos destinados a educação, não está ligada a histórico da surdez em nossa surdez em nossa família. Porém, encontra fundamentos na afirmativa de que o encontro com pessoas surdas e prática da comunicação visual criou uma angústia por não estarmos inseridos no diálogo.

Dentro das experiências que vivemos durante o processo de aprendizagem, conhecemos pessoas surdas e seus parentes ouvintes. Percebemos que neste espaço nem todos tinham a LIBRAS como forma de comunicação – inclui-se os próprios surdos.

Autorizados pelo responsável do aluno Gabriel criamos um mecanismo para atendê-los, já que o aluno se comunica bem em LIBRAS e oraliza. Queríamos observar a comunicação dele com outro jovem surdo que não oralizava e também não sabia LIBRAS. Precisávamos de algo mais para sustentar e referenciar a nossa pesquisa e fomos ao encontro de estudos sobre a origem da Língua de Sinais e as etapas no processo de sua construção.

As associações sobre o uso da mímica e dos desenhos nos causaram profunda impressão, principalmente pelo resultado interpretativo da comunicação.

Ronice Quadros e Nelson Pimenta (2006) no Livro- Curso de LIBRAS I falam sobre essa forma de comunicação, onde o aluno ouvinte a prende através dos mecanismos de interação que acontecem no mundo dos surdos.

Os surdos usam o olhar para tudo. A questão do olhar é fundamental por exemplo, quando os surdos conversam, eles o fazem a partir do estabelecimento do olhar. Não há comunicação se não houver estabelecimento do olhar. Os surdos pensam, sonham, planejam as coisas na língua de sinais que é uma língua visual-espacial, Os surdos vêem a língua enquanto os ouvintes ouvem a língua. (p. 14).

A observação da comunicação entre os membros da família do Mateus, surdo que não oraliza nem conhece LIBRAS nos permitiu a elaboração de novas técnicas para serem utilizadas na escola, inicialmente com os alunos surdos e depois nas dinâmicas com os professores, no intuito de despertar a atenção de todos para essa nossa didática.

Em nossos projetos educacionais, criamos o diário de aprendizagem em Libras como instrumento didático –pedagógico, correspondente ao diário de aprendizagem para classes de progressão que era destinado a alunos ouvintes com dificuldade de aprendizagem. Ao assumir uma turma de Classe Especial/ Surdez na E. M. Mato Grosso em 2007 percebi também uma dificuldade de aprendizagem com característica bilíngue (Português/LIBRAS). Durante a reunião do Centro de Estudo tive a idéia de propor a diretora o Diário de Aprendizagem com ênfase na Língua de Sinais Brasileira, justificando com os resultados obtidos com os alunos ouvintes. A turma que estava assumindo era composta de 6 alunos com idade entre 9 e 12 anos, provenientes de famílias em sua maioria ouvintes. Um fator positivo: alguns residiam na mesma rua, e outros em ruas bem próximo, o que facilitava os exercícios de pesquisa e aplicação do diário no âmbito de suas residências.

O Diário também foi aplicado a 5 alunos surdos com idades entre 16 e 24 anos que apresentavam além da dificuldade de aprendizagem uma rejeição aos processos pedagógicos da escola composta de alunos do 1º ao 4º ano do Ciclo de Formação, com idades de 4 a 10 anos.

As primeiras mudanças que ocorreram no período de aplicação do diário foi o estabelecimento de um local apropriado para o ensino e a prática da LIBRAS, e a composição de turmas mistas de alunos surdos e ouvintes, priorizando a formação de monitores onde o aluno surdo ensinava libras ao aluno ouvinte, e o aluno ouvinte ensinava português ao aluno surdo. Todo material produzido durante essas aulas eram avaliados pelos professores envolvidos no processo de escolarização, tornando-se parte do diário de aprendizagem em LIBRAS.

Independente do constrangimento inicial entre os alunos e até mesmo de professores o resultado foi positivo. Precisávamos aumentar as possibilidades para incluir as classes que já tinham alunos alfabetizados no processo da aquisição da língua de sinais. O texto final foi apresentado a diretora Vera Lúcia Salerno, que autorizou o uso do Diário de Aprendizagem em LIBRAS como instrumento de inclusão e capacitação na Língua de Sinais destinado aos alunos, professores e técnicos da U. E. e responsáveis com aulas no âmbito da escola , com duração de 30 minutos, uma vez por semana.

Para o desenvolvimento do Diário de Aprendizagem em LIBRAS foram criados dois grupos de trabalho. O primeiro constituído pelos familiares dos surdos, com o objetivo de trabalharmos as suas narrativas sobre a origem e classificação da surdez e os processos de comunicação entre os parentes, e vizinhos.

O segundo grupo de trabalho constituído pelos professores da Escola Municipal Mato Grosso, que trabalhavam os conteúdos do Núcleo Básico Comum dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

Cada grupo de trabalho iniciou as pesquisas elegendo temas que envolvessem diferentes contextos, oportunizando práticas e exercícios do imaginário coletivo. Definimos os grupos criando cargos de mediação da seguinte forma: no grupo familiar o professor Antonio Ricardo Penha, e um membro responsável da família do surdo como coordenadores, e os demais familiares e o próprio aluno surdo como relatores da narrativa familiar.

No grupo dos docentes a professora Christiane Penha assumiu a coordenação, enquanto as professoras Flavia Lira, Janete, Glória e Márcia Monção assumiram a relatoria das experiências obtidas no âmbito da escola sempre auxiliadas por uma mãe de aluno, que contribuía apresentando os resultados das avaliações médicas durante o nosso estudo de caso. Observação a Srª Luciana da Silva Moreira, mãe do aluno Gabriel catalogou todos os procedimentos desenvolvidos pelos médicos que atendiam o aluno fornecendo informações científicas para o enriquecimento do estudo de caso.

A transferência dos alunos com idade acima da faixa etária permitida na Escola Mato Grosso para a E. M. Cecília Meireles transcorreu dentro do previsto. A equipe da 5ª Coordenadoria de Educação, já tinha visitado a escola e sinalizado sobre a necessidade de transferir os alunos para uma escola que tivesse alunos com mesma idade dos alunos surdos.

Na primeira conversa que teve com o Diretor da Escola Municipal Cecília Meireles, Prof Elcio ficou estabelecido que o Diário de Aprendizagem em LIBRAS já conhecido no âmbito da Secretaria Municipal de Educação, por sua divulgação na Revista “Nós da Escola”, teria um espaço para a sua continuidade, desde que, assumíssemos a sua dinamização.

Como resultado dessa transferência modificamos a proposta inicial do diário de aprendizagem em LIBRAS, voltada para auxiliar alunos com dificuldade de aprendizagem, para o ensino da Língua a alunos de todo segmento da Escola Municipal Cecília Meireles. Foi construído um Alfabeto Manual em LIBRAS em Tamanho A4 afixado na entrada principal da escola, para todas as salas, refeitório, secretaria, e demais dependências foram confeccionadas placas indicativas em LIBRAS.

Entre os alunos a idéia do Diário de Aprendizagem em LIBRAS ganhou aspecto sócioeducativos, já que todo processo de construção das suas páginas eram obtidas através da prática de conversação da datilologia do Alfabeto Manual no pátio e nas ruas da comunidade em torno da escola.

Essas experiências compartilhadas entre as duas escolas, a primeira (E. M. Mato Grosso) que tornou-se um pólo recebendo alunos surdos para os anos iniciais do Ciclo de Formação e a Segunda (E. M. Cecília Meireles) com cursos de qualificação de LIBRAS para surdos voltados para a inserção no Mercado de Trabalho, nos deu a idéia de apresentar o Diário de Aprendizagem em LIBRAS para a Direção da Faculdade Gama e Souza, a fim de inseri-los em atividades práticas nos Cursos de Licenciatura em Pedagogia, Letras e Matemática. A partir de sua aprovação foi encaminhada ao Instituto Superior de Educação e autorizado a sua aplicação a alunos que estão nos períodos finais de conclusão de curso.

Dentro da Faculdade, o Diário de Aprendizagem em LIBRAS assume outra característica, ou seja, a de pesquisa oferecendo mais um campo de trabalho para o aluno surdo, pois nos cursos de Licenciatura o aluno ouvinte é aquele que se coloca antecipadamente na condição de aprendiz de uma língua que muda a sus percepção fazendo com que o seu corpo seja o elemento principal da comunicação. Esses mesmos alunos procuram a pessoa surda nas comunidades existentes buscando um melhor aprendizado. Com isso, surge novos procedimentos sociais e psicológicos no processo autoavaliativo do indivíduo. O aluno da graduação aborda a questão da avaliação psicológica e do diagnóstico aprendendo com isso a identificar os níveis de surdez dentro do contexto educativo investigando os atrasos no desenvolvimento cognitivo buscando informações para uma intervenção pedagógica que corrija os erro de avaliações anteriores.

O social possibilita ao aluno a entender a questão da autoimagem e dos rótulos sobre a surdez sobre o indivíduo surdo. E na prática das atividades de interpretar os sinais em logradouros públicos em muitas vezes tem que explicar que não é surdo e sim ouvinte aos inúmeros curiosos passantes.

Nos Cursos de Licenciatura da Faculdade Gama e Souza tivemos a oportunidade de promover o reencontro entre as matérias e abordagens praticadas na formação do professor II, com a s novas leis e técnicas pedagógicas atualizadas para o Ensino Superior. Refletir sobre a nova maneira de escutar o outro lendo o que diz as suas mãos e todo o seu corpo tem sido algo emocionante.

Essa nova maneira de entender proporcionou uma observação de uma aluna do 6º período que declarou: “ aprender essa língua assusta, há momentos que sinto medo das expressões no rosto daqueles que falam com as mãos. Quantas caretas, movimentos rápidos e quebrados, quantos sussurros, quantos olhos arregalados. Acho que não vou conseguir...”.

Dentre tantas atividades o projeto não poderia deixar de contemplar o que os alunos mais gostam de fazer: Brincar. Por isso, foram realizadas atividades externas que permitiam ao aluno a experiência de ser visto como pessoa surda. Também foi criado o concurso “ Soletrando em libras”, que vem sendo realizado em várias etapas envolvendo os alunos das diferentes classes da licenciatura.

Também foi criado um vocabulário adaptado para auxiliar os demais setores da faculdade já que muitas palavras em português não existem no dicionário de libras visando um melhor atendimento a pessoa surda e a prática diária da datilologia. Com isso os interlocutores podem usar sinônimos para explicar conteúdos para os alunos surdos. Foram produzidas fichas explicativas que contém palavras semelhantes as que o emissor pretende usar, e, assim, ele pode consulta-las sempre que precisar.

Referências Bibliográficas:

CAPOVILLA, F.C. & RAPHAEL, W. D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: EDUSP, 2001.

COELHO, M. T. & JOSE, E. A. Problemas de Aprendizagem. Rio de Janeiro, Ática. 1999.

DIDEROT, D. Carta sobre o surdos-mudos para uso dos que ouvem e falam. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.

FERNANDES, S. M. A educação do deficiente auditivo: um espaço dialógico de produção de conhecimento. Rio de Janeiro, 1993. Dissertação (Mestrado em Educação) – Setor de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

PENHA, C. M. C.C. & BESSA, C. Libras mais comunicação na escola. Multirio-Revista nós da Escola, ano 5 , nª53, Rio de Janeiro, 2007, p. 42-3 .

QUADROS, R .M. & PIMENTA, N. Curso de LIBRAS I Rio de Janeiro: LSB Vídeo, 2006.

SKLIAR, C. (org) Educação e Exclusão: abordagens sócio-antropológicas em educação especial. Porto Alegre. Mediação,1999.

XAVIER, A N. Descrição fonético-fonológica dos Sinais da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo, 2006. Dissertação (Mestrado em Lingüistica) Departamento de Lingüistica Universidade de São Paulo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

AS MÚLTIPLAS FUNÇÕES DO GESTOR EAS POLITICAS EDUCACIONAIS NAS IES.

Elaina Alves Andrade
Mestranda em Psicologia Social
Professora Universitária na área de Gestão Educacional

Resumo:
A gestão Superior se divide para estudar as múltiplas determinações econômicas e sociais da administração institucional, bem como as condições e possibilidades de uma práxis administrativa escolar voltada para a transformação social.
De forma clara e objetiva, abordei o conceito de administração em sua forma mais geral e abstrata, independentemente das determinações sociais e econômicas deste ou daquele modo de produção.
Em seguida, expliquei as fundamentações e a natureza da administração especificamente capitalista e sua articulação com os interesses dominantes.
Na análise das funções dos gestores de universidades especifiquei as áreas de atuação em relação ao que a lei, que somos subordinados, nos diz.
Dentro dessas funções, o gestor se torna um contribuinte para a transformação social, pois em várias delas a comunidade e o mercado de trabalho estão envolvidos diretamente, esses mesmos gestores também se preocupam com o andamento da instituição e com o seu perfil perante a sociedade, que tem dificuldade para aceitar os novos conceitos, sem mudanças e sem transformações.
Abstract:
Top management is divided to study the multiple economic and social determinations of institutional administration, and the conditions and possibilities of a practice management school focused on social transformation.
Clearly and objectively, I discussed the concept of management in its most general and abstract, regardless of social and economic determinations of a particular mode of production.
Then I explained the reasoning and the nature of capitalist management and specifically its relationship with the dominant interests.
In the analysis of the functions of university administrators outlined those areas of performance in relation to what the law tells us we are subject.
Within these functions, the manager becomes a contributor to social change, as in many of the community and the labor market are directly involved, those same managers are also concerned about the progress of the institution and its profile towards the company, which has difficult to accept the new concept without changes, with very few changes and overcome the social classes.
Always in a didactic, facilitated the presentation of the concepts even by people unfamiliar with the subject, understanding can be facilitated to understand how the conservative character of the existing school administration and the basic assumption of a school administration committed to social change.

Palavras-chave: administração, coordenação, mudança, gestão, professores, leis

Introdução
Este trabalho vem tratar do processo de organização do ensino superior, visando refletirmos sobre as divisões pedagógicas e administrativas nas instituições privadas e públicas no que diz respeito à gestão. As influências políticas mostrarão que o sistema educacional só funciona mediante a eficácia da administração.
A possibilidade de ação administrativa completa está na construção coletiva exigindo a participação de toda universidade, nas decisões do processo educativo contribuindo no aperfeiçoamento administrativo – pedagógico. A organização do trabalho e do dinheiro nas bases das instituições deve ser balançada no planejamento.
A solução está na democratização da distribuição das riquezas e dos benefícios usando o instrumento da administração participativa. Os planejamentos onde diferentes segmentos de uma instituição com seus olhares, seus valores e desejos, participam e dão voz a esta prática, deixando sadia e produtiva funcionando como uma máquina.
O desenvolvimento de trabalho na área educacional vem exigindo do educador o exercício de ofícios, artes e artimanhas que, ao lado da fundamentação científica necessária, permitam-lhe a adoção de práticas pedagógicas voltadas para transformar e transforma-se como pessoa e profissional.
A organização escolar estruturada pela sociedade capitalista procura, em última instância, a manutenção das relações sociais de produção, refletindo as divisões sociais existentes, com tendência a perpetuá-la e acentuá-las, enfatizando, assim, a manutenção do poder da classe dominante.
As instituições de ensino não são apenas a agências que reproduzem as relações sociais, mas um espaço em que a sociedade produz os elementos da sua própria contradição.
A questão da democratização dentro das instituições de ensino tem sido analisada sob três aspectos gestores: democratização como ampliação do acesso à instituição educacional; democratização dos processos pedagógicos e democratização dos processos administrativos.
Os educadores e gestores em geral encaram a democratização como o desenvolvimento de processos pedagógicos que permitam a permanência do educando no sistema, através da ampliação de oportunidades educacionais.
Em muitas regiões, as universidades são a única ou uma das poucas entidades organizadas, em todos os níveis de gestão que estão habilitadas para desenvolverem administrativamente determinados posicionamentos ante a educação e sua responsabilidade social, temos buscado um relacionamento maior com seu contexto imediato.
Hoje em dia, existe uma serie de fatores que contribuem para esse mal ajustado processo, de administração, neste período de transição, que se contextualizam as IES.
Tendo em vista, as dificuldades em identificar-se com um consenso acerca do conceito emergente de Gestão do Conhecimento no meio acadêmico, cabe ao gestor da IES desenvolver estratégias de socialização e compartilhamento do conhecimento.

As divisões da gestão academicamente

Interpretando-se o disposto nas novas diretrizes oriundas da Lei de Diretrizes e Bases - LDB, Lei nº. 9394, de 20 de dezembro de 1996, que não mais exige a existência de departamentos no âmbito das Instituições de Ensino Superior, tendo sido a maioria extinta das estruturas organizacionais, optando pela Coordenação de Curso, com funções, responsabilidades e encargos inerentes a um Gestor de Conhecimento.
Segundo Franco, estas funções delegadas aos coordenadores de curso dividem-se em quatro áreas distintas: políticas, gerenciais, acadêmicas e institucionais.
E prossegue explicitando que as funções consideradas de natureza política, são atinentes à liderança reconhecida na área de conhecimento do curso, a uma postura motivadora de professores e alunos, a uma representatividade legítima de seu curso, de propagação sócio-acadêmica do curso e responsabilidade pela vinculação do curso com os demais anseios e demandas do mercado.
No que se refere às funções gerenciais, identifica quesitos que revelam a competência dos coordenadores na gestão propriamente dita, dos cursos que dirigem.
Os Coordenadores devem se responsabilizar pela supervisão das instalações físicas, laboratórios e equipamentos dos Cursos, pela indicação da aquisição de livros, materiais especiais e assinatura de periódicos necessários ao desenvolvimento dos Cursos, pelo estímulo e controle docente e discente, pela indicação da contratação de docentes, pelo processo decisório de seus cursos e pela adimplência contratual dos alunos de seus Cursos.
As funções acadêmicas ressaltam que o Coordenador deve ser responsável pela execução dos Projetos Pedagógicos dos Cursos, pelo desenvolvimento das atividades escolares, pela qualidade e regularidade das avaliações desenvolvidas em seus Cursos, devendo cuidar do desenvolvimento das atividades complementares.
Estimular a iniciação científica e de pesquisa entre professores e alunos, responsabilizar-se pela orientação e acompanhamento de monitores, pelo engajamento de professores e alunos em programas e projetos de extensão, pelos estágios supervisionados e não supervisionados.
Quando se refere às atividades institucionais, o citado professor acompanha o sucesso dos alunos de seus cursos no ENADE - Exame Nacional de Desempenho do estudante, empregabilidade dos alunos, busca fontes alternativas de recursos, reconhecimento de seus cursos e renovação periódica desse processo por parte do MEC e sucesso dos alunos nos Exames de Ordem.
A análise do acima citado delega aos coordenadores uma função gerencial estratégica nas Instituições de Ensino Superior, o trabalho de cada coordenação e da troca de experiências, com sua equipe de trabalho e dos coordenadores entre si, é que determinará os caminhos a serem seguidos pela Instituição.
É desafiante o papel dos coordenadores de cursos superiores, que devem ser "gerentes do conhecimento", produzindo resultados com impactos financeiros quantitativos e acadêmicos qualitativos, comentário de Giovanna Mesquita de Paula Guimarães, em relação ao trabalho do gestor universitário.


Olhares políticos

Segundo Miguel Arroyo, os gestores devem ser transformados em planejadores e políticos que trabalhem envolvidos o tempo todo com as políticas públicas e seus impactos na sociedade. Mostrando o referencial necessário aos sujeitos protagonistas das teorias, aqui apresentadas pelas lideranças, que é característica primordial do gestor. Os movimentos sociais, devem assim passar a serem participantes funcionais nas organizações promovidas pelos gestores.
A qualidade de um ensino de qualidade voltado à formação cultural e científica possibilita um crescimento maior para a sociedade, as forças políticas dentro da sociedade se mostram neste caso muito negligente, principalmente quando se fala de educação pública e esses fatores influenciam no desenvolvimento da universidade. A gestão democrática devidamente implantada dentro de uma instituição pública asseguraria um planejamento e uma organização pedagógica didática e administrativa em suma, um ensino de qualidade para as camadas mais necessitadas.
Jose Carlos Libanêo no seu livro, Adeus professor, adeus professora? O ambiente educacional deve proporcionar ensino de qualidade, onde se haja permanência e deve vigorar mecanismos democráticos, isto faz menção à gestão democrática que faz parte das características sócio-culturais em que a universidade se envolve. A participação conjunta de profissionais e comunidade são novamente chamadas pela importância que ocupa dentro deste ambiente.
“... No cotidiano de sua experiência profissional, aprendi uma triste lição: no sistema público de ensino popular tudo vale para o ganho e a barganha política: diretor compadre é preferido, professo eficiente é removido ou despedido, merenda escolar, desviada, escola, construída onde não precisa dinheiro dos programas de educação gasto em manter burocratas...”
Neste comentário do Miguel Arroyo, em seu livro A escola possível é possível? A questão em pauta que se coloca para as universidades, como para toda instituição educativa, é de como organizar o tempo, os espaços, as práticas educativas, os conteúdos, os horários, os trabalhos dos professores, de tal maneira que dê conta do desenvolvimento e formação plena dos alunos, respeitando cada tempo.
O trabalho gestor se faz presente em cada uma dessas funções e além de montar esse perfil organizacional ainda mantêm a engrenagem funcionando. Essa prática concreta, que vai desde como organizar as turmas até a organização dos documentos pertinentes a cada instituição.

Segundo as leis e o que determinam.

De acordo com a pesquisa apresentada por Alexandre Martins Dias, em 1981, o próprio MEC reconhecia que o Coordenador “deveria atuar como um gerente de um projeto de aprendizagem”. Autores como Cantídio (1981)1, especificaram diretrizes para uma boa Coordenação de cursos:
• Direção/supervisão do ensino;
• Estudo e formulação de currículos;
• Aprovação dos programas;
• Acompanhamento da execução dos planos de ensino; a Avaliação da produtividade do processo de ensino-aprendizagem;
• Poder de atuar em áreas físicas utilizadas em atividades didáticas;
• Articulação com o CEPE (Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão) através de representação docente.

Considerações Finais

A habilidade de liderança do coordenador deve ser incentivada, de modo a propiciar uma gestão cooperativa,onde todos participam, auxiliam, discutem e influenciam as decisões e são, igualmente, informados delas.
Os gestores devem ficar atentos para uma série de fatores que concomitantemente acontecem, é um trabalho de observação, relacionamento, e muita ação. Tudo muito alinhavado com o tempo, que não para, que determinam o que o mercado oferece de melhor em tendências e adaptações e com as questões financeiras que fazem a máquina girar.
O trabalho de um gestor também abrange dar um perfil a instituição e a satisfação garantida aos pais, exatamente como se fosse um produto. Neste momento percebo um início de distanciamento entre a linha administrativa da linha pedagógica fazendo criar uma forte lacuna entro os aspectos pedagógicos e os empresariais. Manter essas duas vertentes unidas e harmoniosamente integradas é mais um dos desafios para um gestor comprometido em manter a excelência do seu produto sem descartar a qualidade e aparência.
“A tarefa é para gigantes. E “talvez seja o ponto central da nova gestão escolar: valorizar e investir no capital humano, conferir autonomia e responsabilidade aos profissionais envolvidos e conferir autoridade ao líder que atua como organizador articulador e mobilizador dos diversos processos que se desenvolvem na escola (LARANJA, P.242)”.
CONCLUSÃO

A gestão organizacional, que como qualquer outra, necessita seguir um padrão que seja reconhecido por todos. A sua cultura interna é constituída de significados e de referencias partilhados pelos seus membros, a cultura externa é formada pelas variáveis culturais existentes no contexto da organização, interferindo na definição da sua própria identidade. São elementos unificadores e diferenciados de suas praticas, pois comporta dimensões de integração das várias sub-culturas dos seus membros e de adaptação ao meio social de que faz parte. Constitui-se então, como um espaço de inclusão, de emancipação social, de produção de conhecimento e de manifestação e produção cultural, envolvendo discentes, docentes e toda uma comunidade ao seu redor e derredor.
Nesse sentido, a administração bem dividida e dimensionada resolve os problemas e mostra a diferenciação para cada setor, atuando bem e resolvendo as situações problemas. A gestão de qualidade proporciona bons funcionários a se espelharem e fazerem parte, pois o olhar gestor esta presente em cada professor, em cada educador que atua hoje em dia e faz questão da organização e da clara distribuição de funções, não sobrecarregando os demais.

Referencias bibliográficas
 ANDRADE, D. – A gestão democrática de educação no contexto da reforma do Estado.
 ARROYO, M. A escola possível é possível?
 BASTOS, J. B. Gestão democrática da educação: As práticas administrativas compartilhadas. Ática 1997
 BEZERRA, Ângela. S. L. Gestão escolar: Ainda um grande desafio. 2003
 DIAS, M. Alexandre. Texto sobre coordenação de cursos Superiores, publicado no site Gestão Universitário – Jan de 2009
 FRANCO, E. Funções do coordenador de curso: como construir o coordenador ideal. Brasília, ABMES, 2002.
 GONH, Maria da G. Conselhos leitores e participação sociopolítica. Ed. Loyola - 2004.
 GUIMARÃES, M. DE PAULA GIOVANNA. MESTRE EM DIREITO PÚBLICO.
 LARANJA, M. Discutindo a gestão de ensino básico. Porto Alegre: Artmed 2004
 LIBÂNEO, J. C. Adeus professor, adeus professora? São Paulo: Cortez, 1998.
 PARO Vitor H. Administração Escolar – Introdução crítica. Ed Cortez - 2003

O TRANSPORTE SOCIAL URBANO E A HIERARQUIZAÇÃO DOS MODELOS DE VEÍCULOS NA MUDANÇA DE ATITUDE DOS USUÁRIOS

Christiane Maria Costa Carneiro Penha, Mestranda no Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira/RJ.

Maria Helena Zamora,Doutora em Psicologia (PUC/RJ),Docente da PUC/RJ e do Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira/RJ.

Antonio Ricardo Penha,Bacharel e Mestre em Teologia pelo Seminário Maior Peniel/PE e pelo Centro Universitário de Maringá/PR
chpenha.penha@gmail.com

RESUMO

Este trabalho foca os estudos sobre o crescimento das cidades e da população urbana, associando a este crescimento os problemas para o deslocamento desta população, em virtude dos poucos projetos que resolvem de fato as causas dos conflitos existentes nas vias urbanas que facilitam a chegada dessa massa de servidores aos locais de compromissos ou de lazer, considerando neste contexto, a livre escolha do tipo de veículo empregado nesta ação.
A escolha e ocupação dos assentos dos veículos de transporte ainda não é uma opção democrática, é sim, definida pela necessidade dos moradores que utilizarão esta ou aquela condução por sua agilidade, segurança e preço. De acordo com Maricato (1998) transporte, moradia e problemas urbanos estão interligados, e somente com a união dos movimentos político, empresarial e popular se chegará a propostas que atenda a todos.
Para estabelecer uma ponte de entendimento sobre o futuro do transporte social urbano é necessário conhecer a sua função maior de ligar os vários pontos da cidade entre os grandes centros e periferias, através dos veículos terrestres, aéreos e marítimos, em tempo de oferecer suporte de passagens nas vias congestionadas pelo volume de trafego. Neste sentido, a discussão sobre a direção do congestionamento perde efeito, uma vez que hoje em dia vão da periferia para o centro, ou do centro para a periferia.
Estamos centrados nos estudos da globalização e nos resultados que aproximam sujeitos de diferentes localidades onde o conceito de centro e periferia não mais existe, e que Santos (2002), afirma não mais permitir aplicar noções de proximidade ou distância, se levado em conta o aumento da população e a mudança de trabalhadores para os grandes centros urbanos e subúrbio, em áreas de moradias que ultrapassam 50 km de distância dentro da mesma cidade.
Enquanto professores atuando em quatro diferentes cidades deste Estado Nilópolis, Belford Roxo, Rio de Janeiro e Niterói, somos provocados a disputar com outros profissionais os espaços disponíveis nos ônibus, barcas, trens da Super via e do Metrô para chegarmos às instituições de ensino sem atrasos. A nossa estratégia para isso, consiste em utilizar mais de uma opção de veículo através das integrações trem/metrô, Trem/ônibus, Metrô/ônibus e barcas que tenham linhas próximas de nossa residência e das escolas que são o destino.
Segundo estatística da ONU (1990, apud Vesentini, 1992), o Rio de Janeiro é uma megalópole com mais de 10,0 milhões de habitantes, e neste sentido, observa-se que seus moradores fazem a mesma escolha de horários e veículos para deslocamento entre os bairros da cidade sobrecarregando as estações, os pontos de partida e a ocupação de todos os assentos disponíveis nos diferentes modelos de transporte já apresentado.
A construção de um programa individual de milhagem pode ser favorável a todo cidadão que planejar o seu roteiro de viagens pela cidade antecipadamente. Principalmente se considerar os valores do bilhete único referente ao transporte integrado, que baixam o valor final de duas passagens para uma. Ou seja: trem (R$2,50) + metrô (R$2,85) = R$3,80 (valor com desconto), ao invés de R$5,35 que seriam cobrados sem a integração dos modelos transporte.
Outra novidade nesta integração é o Bilhete Único Carioca, que pretende oferecer ao preço de uma passagem, dois embarques em transporte social urbano que circulem nos limites do município do Rio de Janeiro, no tempo de duas horas. Assim, as opções surgem e demandam esforços de todos para serem eficazes, oportunizando que os planejamentos aconteçam de acordo com a necessidade de cada usuário.
O nosso método para poupar tempo e dinheiro com o transporte urbano leva em conta a dinâmica da empresa em oferecer soluções contra os conflitos causados pelo trânsito. Assim verificamos antecipadamente as linhas que oferecem menos paradas, rotas que utilizam corredores expressos e baldeações com terminais de integração trem, metrô, ônibus e barcas.
O maior problema que a população enfrenta no transporte é a falta de assentos livres e o tempo preso nos engarrafamentos. Fatores que atinge o pico nos horários entre 06,30 e 09h.
A mudança de atitude dos usuários acontece neste espaço, quando se verifica a hierarquização dos modelos de transporte, uma vez que os chamados frescões (ônibus executivos), vãs legalizadas e taxis compartilhados desfilam pela cidade, com preço mais alto de passagens em virtude de oferecer serviços de bordo que permite ao usuário conforto suficiente para não sentir a problemática do trânsito. A maioria dos passageiros que utilizam esses veículos aproveita o tempo para dormir, ler jornal ou simplesmente adiantar o serviço com ligações telefônicas e leitura do expediente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MARICATO, E. Habitação e Cidade. São Paulo: Atual Editora, 1997.
SANTOS, M. O espaço dividido. Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979 (Coleção Ciências Sociais).
SANTOS, M. Por uma outra globalização. São Paulo: Record, 2000.
VESENTINI, J. W. Sociedade e Espaço. São Paulo: Editora Ática, 1992.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA FORMAÇÃO DO ALUNO SURDO NO ENSINO SUPERIOR

Christiane Maria Costa Carneiro Penha, Mestranda no Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira/RJ.

Dra. Maria Helena Zamora, Docente da PUC/RJ e do Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira/RJ.

Mestre Antonio Ricardo Penha, Teólogo pelo Centro Universitário de Maringá/PR, Acadêmico de Pedagogia no Instituto a Vez do Mestre/RJ
chpenha.penha@gmail.com

RESUMO

Este trabalho tem por objetivo demonstrar que na Educação a Distância o professor e a Instituição de Ensino Superior propiciam ao aluno surdo instrumentos para o seu desenvolvimento acadêmico, uma vez que no ambiente virtual de ensino, o educador divulga conteúdos educacionais em Língua Brasileira de Sinais e, em Português escrito, numa didática plena, atualizada pelas novas tecnologias, com ferramentas fundamentais para a sua inclusão.
A Educação a Distância está em constante evolução, principalmente na capacitação e qualificação de professores e técnicos que atuam diretamente no processo de formação acadêmica, sendo neste contexto, a modalidade de ensino que atende melhor as pessoas que pela natureza das necessidades especiais, não freqüentam os institutos de ensino presencial.
Verifica-se assim, que o aluno surdo que vive dificuldades para concluir o ensino superior por falta de profissionais bilíngües em sala de aula, tem na Educação a Distância, a oportunidade para ampliar os seus conhecimentos, apoiados numa estrutura pedagógica que propõe adaptações tecnológicas e curriculares em tempo real, eliminando as barreiras geográficas e temporais, que são as causas mais efetiva da evasão nos cursos de graduação.
PALAVRAS-CHAVE: Surdez, Educação a Distância, Novas Tecnologias

INTRODUÇÃO
Este trabalho aborda a utilização do bilingüismo: Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e Língua Portuguesa na Educação a Distância, como método apropriado para a inserção de alunos surdos em um mundo majoritariamente ouvinte. A carência de materiais didáticos para aulas com alunos surdos, a falta de profissionais capacitados nas instituições de ensino e a diferença lingüística que dificulta a imediata compreensão tanto do professor ouvinte quanto do aluno surdo confere a educação a distância um aval para que seja reconhecida como a melhor modalidade de formação inclusiva.
De acordo com Martins e Moço (2009), na comparação, entre os resultados obtidos no ENADE/2006, nas modalidades, presencial e a distância, das 13 áreas avaliadas, o EAD se saiu melhor em sete, nos cursos de Pedagogia, Biologia, Física, Matemática, Ciências sociais, Administração e Turismo. Confirma-se com isso que o referencial para a competência dos resultados de qualquer proposta de ensino está na relação entre professor e aluno associada à metodologia empregada.
É importante que a língua de sinais seja ofertada no cotidiano escolar do aluno surdo para e que ele tenha a oportunidade de interagir com o seu professor, pois assim estabelecerá o seu desenvolvimento lingüístico naturalmente. Atualmente a Libras e o Português escrito vem sendo aplicado em algumas escolas com o objetivo de facilitar a comunicação entre surdos e ouvintes. No entanto a adaptação neste sistema de ensino não é uma tarefa fácil e de acordo com Quadros (2006), implica em adequações necessárias ao desenvolvimento das aulas relativas aos turnos das falas e à disposição física dos alunos na sala de aula.
Foram esses os fatores principais que influenciaram o professor a buscar uma maneira mais eficaz para ensinar o aluno surdo, pois não é suficiente que ele conheça só a língua de Sinais, sendo necessário também conhecer a cultura surda, compreendendo a sua história para então elaborar o material didático/pedagógico. Neste sentido, Kenski (2005, p.1), enfatiza a importância de se observar as diferenças do sistema de ensino entre as escolas presenciais e as instituições que oferecem o ensino na modalidade à distância, para que sejam respeitadas as necessidades educacionais de cada grupo social.
A cultura, tal como a entendemos inclui todos os domínios do espírito e da imaginação, das ciências mais exatas à poesia. Neste sentido, as “universidades” têm certas particularidades que as tornam locais privilegiados para desempenhar estas funções. (...) São geralmente multidisciplinares, o que permite a cada um ultrapassar os limites do seu meio cultural inicial. (...) Portanto todas as universidades deviam se tornar abertas e oferecer a possibilidade de aprender a distância em vários momentos da vida. A experiência do ensino a distância demonstrou que, no nível do ensino superior, uma dose sensata de utilização dos meios de comunicação social, de tecnologias de comunicação informatizadas e de contatos pessoais, pode ampliar as possibilidades oferecidas (Delors, 2003, p. 144).
Vivemos em um país com dimensão continental e, para atingir o princípio da legalidade e ver todos os brasileiros estudando, foi preciso estabelecer novas tecnologias educacionais que possibilitasse isso. Nesse contexto, EAD surgiu como uma proposta inovadora capaz de atingir um grande número de pessoas em áreas remotas. Segundo Castro e Santos (2008, p.9), “no Brasil a EAD começou com a fundação do Instituto Rádio Monitor, em 1939, e depois pelo Instituto Universal Brasileiro, em 1941”. A partir deste marco, outras escolas surgiram com relativo sucesso.
A EAD no Brasil facilitou o acesso do aluno surdo no Ensino Superior, proporcionando conforto e segurança através de um sistema, estruturado na comunicação por videoconferência interativa, entre outras tecnologias, com tradução simultânea para a Língua de Sinais. De acordo com Silva (2007, 160), a língua, independente de sua modalidade, é vista como um instrumento de poder, e a língua de sinais deve ser a língua acadêmica dos alunos surdos, pois lhes permite ser o que sempre foram: surdos.
Alguns projetos para desenvolver ferramentas que auxiliam os alunos surdos na modalidade de Educação a Distância continuam a serem testados. O Projeto Sign Net propôs adaptar a tecnologia da internet para as línguas de sinais, objetivando a criação de bases do processamento para difundir o sistema de escrita Sign Writing (Stumpf, 2007).
O Sign Writing pode registrar qualquer língua de sinais do mundo sem passar pela tradução da língua falada. Foi inventado pela pesquisadora Valerie Sutton e segundo as publicações do Deaf Action Committee For Sign Writing, o sistema pode representar a língua de sinais de um modo gráfico esquemático que funciona como um sistema de escrita alfabético, em que as unidades gráficas representam as unidades gestuais fundamentais, suas propriedades e relações. O sistema comporta aproximadamente 900 símbolos, que fazem a tradução, sendo necessário que o usuário conheça uma ou mais línguas de sinais (Stumpf, 2007, p. 50-52).
Para Quadros, (2006, p.44) “o oferecimento em EAD é uma conquista do povo brasileiro, pois essa modalidade de ensino tem qualidade e vem se aperfeiçoando continuamente”. Professores capacitados em língua brasileira de sinais e alunos surdos auxiliados pelo trabalho dos interpretes, contam ainda, com o apoio de programas produzidos em vídeos que vem com legendas, facilitando a integração com alunos ouvintes nos ambientes virtuais de aprendizagem.
O presente artigo objetiva analisar a modalidade de Educação a Distância, e o oferecimento da disciplina de Língua Brasileira de Sinais que o aluno surdo precisa para se adaptar a este sistema de ensino. Nesse sentido, verificar qual a proposta da Instituição de Ensino Superior para inclusão da disciplina que prevê segundo Stumpf (1998, p. 72), conteúdos como: Escrita dos Sinais (Sign Writing); História da Cultura e Identidade Surda; Trabalho, Cidadania, Política e Integração dos Surdos; Gramática da Língua de Sinais; Informática (convencional e com as novas tecnologias) e por último, aulas práticas para o mercado de trabalho segundo o que prevê a Lei 10.436/2002 e Decreto Lei 5.626/2005.
Para alguns educadores a diferença lingüística impede a elaboração de aulas destinadas aos alunos surdos na mesma velocidade que são preparados conteúdos para os alunos ouvintes. Acreditam que a melhor maneira de formar os alunos surdos, seria o de ensinar primeiro em grupos separados, para depois inserir este grupo nas classes ouvintes.
Discordando dessa alternativa Teske (2008, p.71), diz que não deveria existir um sectarismo no que se refere à EAD para alunos surdos, pois é preciso fazer aquilo que estiver ao alcance, sem perder de vista que já existe tecnologia pronta para ser lançada nesta modalidade de ensino até 2030.

A interação que professores e alunos fizerem com os meios, por si só, não definirá as potencialidades ou as limitações de um aprendizado. Para que o aprendizado ocorra em um ambiente que contemple novas tecnologias de informação e comunicação, deve - se analisar também os meios que são empregados, considerando o contexto de uma metodologia organizada com tecnologia, sem deixar de apontar a relevância do fator humano nessa comunicação (Castro e Santos, 2008, p. 27).
O estudante surdo em sua grande expectativa de aprender independente da modalidade de ensino é um solitário. O fracasso escolar comum a grande maioria do alunado, não faz parte da sua realidade. Somente um pequeno contingente de surdos atingem os anos iniciais de escolarização regularmente matriculados nas escolas públicas, não havendo uma estatística que defina o número de alunos surdos no ensino privado.
A Língua Brasileira de Sinais e o Português escrito devem ser usados para a comunicação com os surdos em todos os instantes da escolarização do EAD formando e, dando continuidade aos estudos em níveis mais avançados privilegiando todos envolvidos na sua aquisição e fluência.
A metodologia empregada na escola regular ainda necessita do empenho de profissionais de educação, no sentido de buscar qualificação e capacitação técnica para promover a democratização do ensino aos portadores de necessidades educacionais especiais e a integração destes com os outros grupos existentes. Não é tarefa fácil. Compor um quadro de professores qualificados para empregar metodologia e procedimentos voltados para a inclusão dos alunos surdos.
A existência das Leis que amparam as pessoas surdas não as insere ou integram-nas nas Instituições de Ensino Superior que existem no Brasil. De acordo com Quadros (2006, p. 45), “as dificuldades encontradas pelos alunos regulares ouvintes com ou sem as necessidades especiais não são as mesmas enfrentadas pelos estudantes surdos”. Observa-se que no sentido de compreensão dos conteúdos curriculares, os alunos surdos demonstram enormes dificuldades
Assim, no âmbito Institucional Escolar como promotor do Ensino Superior e de Integração compreende-se a importância do professor ou tutor em Educação a Distância para o aluno surdo como facilitador dos recursos visuais que tornará a Língua de Sinais mais dinâmica, com uma proposta educacional bilíngüe em que a imagem e o esquema corporal supra as necessidades de aprendizagem do aluno permitindo que supere as barreiras em relação a obtenção de sua certificação no ensino superior.
A Universidade do Estado de Santa Catarina – EDESC mantém desde 2002, o curso de Licenciatura em Pedagogia para Surdos na modalidade à distância e segundo Booth e Beche (2006, p.96), tem assegurado as adaptações curriculares necessárias às formas de comunicação e aprendizagem do aluno surdo.

CONCLUSÃO
O presente artigo partiu da constatação que o EAD oferece recursos para aproximar o aluno surdo em nível de graduação aos processos educacionais do Campus, sem estigmatizá-lo ou rotulá-lo.
O acesso da pessoa surda ao curso superior, é uma vitória e vem ao encontro do processo de inclusão necessário a democratização do ensino-aprendizagem em todos os níveis e instituições do país.
Neste sentido, a EAD oferece ferramentas para o aluno surdo realizar as tarefas previstas no currículo superando as barreiras impostas pela ausência do som.
A tarefa humana de ensinar, com auxílio de ferramentas tecnológicas é um trunfo que viabiliza o processo ensino-aprendizagem e a busca pelo saber tanto na perspectiva do aluno quanto na do professor e, Segundo Kenski (2005), “o professor precisa ter consciência de que sua atuação profissional competente não será substituída pelas tecnologias. Elas ao contrário, ampliam o seu campo de atuação para alem da escola clássica”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOOTH, T. e BECHE, R. C. Formação de Professores na Ótica Inclusiva. Rio de Janeiro: INES, 2007.
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CASTRO, A. N. e SANTOS, G. P. dos. Fundamentos Estruturais e Pedagógicos em Educação a Distância. Rio de Janeiro: Grupo Palestra, 2007.
Constituição da República Federativa do Brasil. Ano: 1988. Artigo 208, Inciso III. Brasília: MEC, 2008.
DELORS, J. (Org.) Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2003.
MARTINS, A. R. & MOÇO, A. EAD: Vale a pena entrar nessa? São Paulo: Revista Nova Escola. Ano XXIV. No. 227, 2009, p.52-53.
PIMENTA, N.Curso de Libras I. Rio de Janeiro: LSB, 2007.
QUADROS, R. M. Vestibular: Letras-Libras-EAD. Santa Catarina: UFSC, 2006.
SANTOS, G. P. dos e MARTINS, J. P. Metodologia da Pesquisa Científica. Rio de Janeiro: Grupo Palestra, 2008.
SUPLINO, E. Currículo Natural Funcional. Rio de Janeiro: IHA, 2008.
STUMPF, M. R. Sign Writing e Computação no Currículo da Escola Especial Concórdia – Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Anais do Seminário “Surdez, Cidadania e Educação: refletindo sobre os Processos de Exclusão e Inclusão: Rio de Janeiro: INES, Divisão de Estudos e Pesquisas, 1998.
__________Possibilidades de Escrita Pelos Surdos. Anais do Congresso 150 anos no cenário da Educação Brasileira. Rio de Janeiro: INES, Divisão de Estudos e Pesquisas, 2007.

TESKE, O. Surdez e Educação a Distância. In: Anais do Congresso Surdez e Universo educacional (organização) INES, Divisão de Estudos e Pesquisas. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Educação de Surdos, 2005
SILVA, V. O Ensino Superior Bilíngue. Anais do Congresso 150 anos no cenário da Educação Brasileira. Rio de Janeiro: INES, Divisão de Estudos e Pesquisas, 2007.

TEATRO INFANTIL INSTRUMENTALIZADO EM PORTUGUÊS E LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS: Recreação para o Maternal I e II

Leiliane de Oliveira
Professora, Diretora da C. M. Tio Sebastião Xavier, Acadêmica de Pedagogia (IAVM/UCAM)

Christiane Maria Costa Carneiro Penha
Professora, Psicóloga, Diretora Adjunta da C. M. Tio Sebastião Xavier

Antonio Ricardo Penha
Professor do Ensino Superior Voluntário

JUSTIFICATIVA

Em nossa UE, as crianças ocupam seus espaços democraticamente sem a preocupação que nós adultos temos para significações de como promover a inclusão. São livres para viverem suas brincadeiras, observações e diferenças. Neste contexto, observando os pequeninos durante horas, dias, semanas e meses, descobrimos a sua vocação para interagirem entre si respeitando as diferenças pessoais e de linguagens, numa apropriação direta sem as dificuldades que surgem cotidianamente para as pessoas mais velhas. Assim, com a construção de novas brincadeiras e diálogos, contextualizados em Português (oral/escrito) e Língua de Sinais (visual), começamos a desenvolver o lúdico com recursos dessas duas línguas, apropriando a nossa tarefa de educar, com os instrumentos e ferramentas mais importantes do nosso Projeto Político Pedagógico que é a comunicação, para efeito da construção do conhecimento e da formação da cidadania.

OBJETIVOS

Este artigo tem por objetivo analisar as propostas de recursos didáticos que apóiem as atividades bilíngües em Português e Libras no campo da Educação Infantil, tornando-a também acessível à comunicação de alunos surdos matriculados nesta modalidade de ensino e a seus responsáveis, conforme o previsto no Decreto 5626/2005 da Lei 10.436/2002 que reconhece a língua de sinais para a comunicação de surdos brasileiros, oportunizando neste sentido, que esses alunos e sua família tenham participação direta nas atividades da UE, possibilitando a expansão das relações sociais e culturais, fundamentais para a inclusão e a construção de novos saberes.

INTRODUÇÃO

Em nosso trabalho de atendimento aos alunos do Maternal I e II, destacamos como ferramenta de apropriação do conhecimento, as brincadeiras, a música, o conto de estória e história, o carinho, as advertências para o cuidado com os amiguinhos, e outras atitudes que faz o aluno nesta idade sentir-se seguro no espaço da escola. Neste sentido, “tornar enquanto educador, efetivas às possibilidades de desenvolvimento das crianças e de sua relação com o mundo, instigando-as, desafiando-as na organização interna de informações” (Orientações Curriculares EI, 2010, 24).
O método utilizado em nosso trabalho está intimamente ligado ao teatro e à sua instrumentalização lúdica, que prevê recursos de diferentes naturezas, construídos com ferramentas referenciadas nas culturas surdas e ouvintes, adaptadas para os brinquedos, jogos e contos existentes no universo infantil, em Português oral/escrito e na Língua de Sinais Brasileira, respeitando as necessidades da práxis educacional e a ordem da idade das crianças e de seus coleguinhas, fomentando entre eles outras construções de conhecimento.
O processo começa com as adaptações dos roteiros dos contos e das canções infantis para as duas línguas, criando um cenário que possa ser entendido tanto pela criança surda e seus responsáveis, quanto pela criança ouvinte, confirmando Aranha (2005, p.17), quando diz que as relações que os homens estabelecem entre si para produzir a cultura se dão em diversos níveis que não se excluem, mas se complementam e se interpenetram.
No teatro infantil alocado em nossa UE, apresentamos aos alunos, a peça João e Maria, com um roteiro de dinâmicas distribuídas em cartazes, onde os desenhos se apropriam das letras do Português e de Libras, caracterizadas por desenhos. Exemplo: a letra J (português) de João tem a figura de um menino, com bracinhos e cabelinho curto. Essa mesma letra em Libras é desenhada conforme a configuração de mão da língua de sinais (visual), também com bracinhos e cabelinho curto. Ou seja, para as crianças as letras são diferentes, porém, continuam sendo meninos, e neste sentido, é o educador que media este entendimento da criança conforme as Orientações Curriculares para a Educação Infantil (2010, 28), que diz que esta ação do educador deve ir além da disponibilização de materiais, atendendo todo o processo de desenvolvimento e da apropriação da linguagem gráfico-plástica, explorando os materiais em todas as suas possibilidades.
Os recursos mais utilizados para a educação em Libras são de orientação gestual/visual, considerando as expressões corporais e as cores, pois o aluno surdo estabelece uma relação dialógica mais evidente com esses instrumentos, enquanto o aluno ouvinte tem a seu favor além desses recursos a própria escuta. Faz parte da trupe de educadores “atores”, uma professora graduada em psicologia e pedagogia com formação em Libras; uma professora acadêmica de Pedagogia capacitada em contar estórias e história na linguagem infantil; cinco agentes auxiliares de creche que atuam como personagens; e, um professor de metodologia amigo da escola e pai de duas ex-alunas da UE que ajuda nas adaptações do roteiro.


TEMPO DE DURAÇÃO DA EXPERIÊNCIA

Cinco meses, com duas peças fixas adaptadas para futuras reapresentações bilíngües em Português e Libras.


PESSOAS ENVOLVIDAS NA EXPERIÊNCIA

Oito pessoas, sendo: um professor articulador, um professor no cargo de direção, um professor convidado e cinco agentes auxiliares de creche.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O referencial teórico para a experiência apresentada ordena-se aos estudos de Junqueira Filho (2006), porque nas suas pesquisas sobre Educação Infantil considera importante às linguagens geradoras como fundamental para articulação de conhecimentos validando a permanente construção de novos saberes.

AVALIAÇÃO

Os alunos que participaram deste espaço demonstraram grande alegria, fato confirmado pelos responsáveis após relato das crianças em casa. Durante as atividades na UE, as crianças colaboram com as suas significações, validando o processo de ensino-aprendizagem conforme o previsto nas Orientações Curriculares para a Educação Infantil. As auxiliares de creche que trabalham diretamente com as crianças avaliam que existe uma aprendizagem positiva permitindo que o conhecimento inicial de Português e Libras seja um elo para a comunicação fora dos muros da escola, além de fomentar nos alunos a idéia de novas construções simbólicas, para as futuras peças.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CAMPOS, M. M. & ROSEMBERG, F. Critérios para um atendimento em Creches que respeite os direitos fundamentais das crianças. Brasília: MEC, SEB, 2009.

JUNQUEIRA FILHO, G. A. Linguagens geradoras: seleção e articulação de conteúdos em educação infantil. Porto Alegre: Mediação, 2006.

HOFFMANN, J. (1993). Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Editora Mediação.

ORIENTAÇÕES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL. Gerencia de Educação Infantil. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Fevereiro de 2010.

PENHA, A. R. (org.). Laboratório de Projetos de Qualificação em Libras. Rio de Janeiro: Quártica Editora, 2009.

SOUTO, R. M. dos S. (2007) Projeto especial de Adolescentes: instrumento de Inclusão nos ciclos de formação. Rio de Janeiro: Coletânea – Anísio Teixeira – E/CREP.